“Apenas os pequenos segredos precisam ser guardados, os grandes ninguém acredita” (H. Marshall)

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sexta-feira, 27 de março de 2015

A castração do imaginário criativo na educação racionalista (ou: O resgate do poder criador na busca dos novos paradigmas)


A educação racional iluminista foi a semente da moderna educação industrial capitalista, cujo grande objetivo tem sido “preparar o ser humano para se tornar uma pessoa socialmente produtiva”.
Na prática tudo isto implica em podar as raízes da infância introduzindo massas de conteúdos e de ideologias para a pessoa poder ocupar um lugar “útil” no sistema social vigente.
A ideologia científica e materialista em especial, busca encher a mente da criança com conceitos e anti-conteúdos para minar o imaginário e a sensibilidade, numa franca substituição da qualidade pela quantidade; como de resto é comum acontecer nas sociedades capitalistas e materialistas.
Nas sociedades marxistas os rumos não têm sido muito diferentes, uma vez que o socialismo mal passa de uma “reforma” econômica do capitalismo, sem maiores críticas de valores, pertencendo antes à mesma base cultural modernista -cujo materialismo positivista dos séculos passados (quando estas visões-de-mundo foram forjadas) representa, aliás, algo que já tem mudado bastante, em termos teóricos sobretudo...

A revalorização do abstrato

A experiência do imponderável era visto nas sociedades antigas como fator de amadurecimento humano. O ser humano capaz de apreender apenas o óbvio, costumava ser chamado de “criança” pelos hindus.
O foco no óbvio e no imediato representa um reforço direto no instinto e no “ego”, mantendo o ser humano naquela etapa infantil egolátrica de auto-afirmação, entre outros instintos próximos. A competição capitalista apenas institui esta situação pelo darwinismo social pseudo-científico, coisa que o marxismo ainda “ideologiza” através da luta-de-classes.
Os egos inflados dos cientistas é coisa conhecida, semeados pela cultura acadêmica onde o espiritual e o transcendente são sistematicamente colocados de lado, resultando na famosa e perigosíssima “Ciência-sem-consciência”A ingenuidade e a ignorância ante as dinâmicas espirituais, ainda coloca os materialistas diretamente na mão das forças obsessivas que eles negam existir, depois que caíram nas armadilhas do próprio ego e da ideologia reinante.
Estes seres estão desgraçadamente mortos para a experiência do sensível e do imaginário, onde se abrem as perspectivas de exploração das energias sutis, e talvez de muita coisa incluída nos cálculos abstratos da Ciência Moderna...
Ora, o conteúdo lúdico que impera na infância -até há pouco amplamente desprezado pelos sistemas educacionais-, representa sabidamente um dos fundamentos da consciência, que Claude Levi Strauss vinculou à cultura vigente nas sociedades primitivas ou originárias.
Neste sentido, podemos fazer uma associação direta do lúdico ao mítico, onde se abrem as possibilidades humanas para o raro e o maravilhoso. O mito faz parte da ciência espiritual. Tal como a criança aprende brincando, o adulto que busca a espiritualidade tem no mito aquela ponte necessária entre o automatismo antigo e a experiência espiritual própria. Aqui entra também o plano religioso em geral, assim como o próprio imaginário épico, onde se exploram novas possibilidades para o ser humano, especialmente no campo social.
Numa linguagem moderna, podemos associar este foro-de-consciência às várias possibilidades que a Física Quântica expõe através do exercício do livre-arbítrio e da qualidade-da-consciência. A epistemologia demonstra também que a consciência infantil percebe o mundo nos termos da relatividade einsteniana, ao passo que o adulto o faz em termos de física cartesiana.
As metas ideológicas desta educação racionalista são evidentes, pois almeja atar e reduzir o ser humano ao racional e ao materialismo, impedindo outras visões-de-mundo como aquelas das sociedades antigas e tradicionais, com suas decorrentes divergências sociais e culturais, mas também não raro com amplo poder holístico ou universal, coisa que as sociedades racionais/materialistas sustentam apenas sofrivelmente ou sob um amplo reducionismo.
O aprendizado do uso da imaginação –tão natural na infância- representa um fator de experiência integral em todas as etapas da vida. Sobre ela se esteia a esperança e a busca do ideal, seja no trabalho, no matrimônio, na sociedade e na própria realização espiritual. O imaginário é aquilo que permite escapar ao imediatismo e colocar bases para experiência mais plenas, íntegras e completas. Afinal, neste imaginário resta espaço para buscar o equilíbrio nas coisas, tal como harmonizar céu e terra e também o eu e o outro.
Muitas filosofias se estruturaram sobre o pensamento abstrato criativo. A força criativa direcionada para o sutil, confere valor moral, idealismo social e integridade humana, podendo resultar ainda no despertar de vários dons e poderes espirituais. A própria iluminação, comumente associada à imortalidade espiritual, deriva deste conjunto de esforços concentrados, devidamente coroados pelos esforços no plano da meditação.
Obviamente, a sociedade-de-consumo perverte todo tempo este quadro, substituindo o idealismo pela compulsão e impondo o instinto acima da aspiração. Os valores verdadeiros –aqueles que tangem à alma e ao espírito- demandam o uso do tempo. O crescimento de uma árvore saudável pode tardar décadas. E existem semeaduras espirituais que podem levar tanto ou mais tempo que isto.
Daí a necessidade de haver modelos sociais inteiramente novos, onde as sementinhas dos grandes ideais possam ser regadas no dia-a-dia até serem colhidas como frutos de luz capazes de nutrir uma nova sociedade no futuro e assim renovar as esperanças do mundo.
Afinal, a diversidade da experiência se reflete na pluralidade social, e isto enriquece a cultura e desonera a pegada humana sobre a terra.

A educação verdadeira é permanente

A educação representa provavelmente a coisa mais importante das nossas vidas. Porém, para chegar a ser eficaz ela deve ser integral e permanente, assim como, é claro, precoce.
Podemos pensar que a educação modernista não seja permanente ou vitalícia, mas isto pode ser uma grande ilusão. A educação racionalista alcança os seus efeitos porque, além de precoce, oferece coerência e continuidade através do cotidiano das pessoas. Além das sucessivas fases da instrução formal, existe no dia-dia um quadro de informações coerente com ela através da mídia direcionada e da própria família.
Nos lares burgueses, a religião, quando existe, é tratada como uma mera formalidade, e não raro vista por alguns com desdém. Nas sociedades marxistas ela tende a ser mostrada diretamente como superstição e alienação. Estas optam antes pela ênfase social, que no capitalismo se reduz quase ao assistencialismo, tendo a religião como um dos instrumentos para isto, às vezes quase como simples válvula-de-escape ou mesmo elemento de demagogia moral.
Então estas sociedades burguesas e materialistas oferecem, na prática, um contexto bastante completo e vitalício de educação permanente, onde a educação nasce e se completa com a ideologia cotidiana.

O resultado disto é certo modelo-de-humanidade que se limita praticamente à produção e ao consumo materialista, gerando um desequilíbrio inédito e insustentável de valores que vem pesando gravemente sobre o planeta.
Existe daí um esforço para incutir a noção da sustentabilidade nas crianças, coisa todavia pouco produtiva quando o sistema em geral não caminha na mesma direção. Esta ideologização verde não tem como surtir maiores efeitos enquanto o mundo carregue na devastação e na poluição. O contraste ideológico é apenas frustrante (podendo levar às drogas e à depressão), e podendo ser resolvido somente pelo esforço de criação de novos ambientes, como meta também da efetivação de um novo modelo de ser humano. A criança humana não traz maiormente tendências, apenas grandes potenciais, daí a importância do ambiente em geral.
Do contrário permaneceremos atados ao discurso, sendo merecedores do desdém de nossos filhos por dizermos uma coisa e mostrar outra totalmente diferente, e nem ao menos apontar caminhos realmente viáveis de mudança cultural. Tal coisa vale para todos os valores que se queira ensinar, inclusive espirituais, heroicos e sociais.
Basicamente, temos a impostergável tarefa de criar novos sistemas sociais onde a experiência quântica do verdadeiro livre-arbítrio possa ser efetivada, fazendo avançar a marcha da Boa Ciência e da verdadeira ilustração, sem as velhas amarras que o obscurantismo positivista tem imposto ao mundo a um preço tão cruel, desumano e injusto com a globalidade e a riqueza da cultura universal.

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