“Apenas os pequenos segredos precisam ser guardados, os grandes ninguém acredita” (H. Marshall)

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terça-feira, 15 de junho de 2010

O universal na Tradição Perene


Quando Jesus afirmou “eu sou o caminho, a verdade e a vida”, estava manifestando uma grande verdade tradicional: a realidade da Unidade das dimensões, na Uni-Diversidade da Tradição.
A tríade Personalidade-Alma-Espírito, está presente em quase todas as Tradições sagradas. Vemo-la no Cristianismo, no Budismo, no Egito Antigo, na Índia, na Teosofia, na Cabala, na Alquimia, etc. E tudo isto ainda inclui uma esfera oculta, superior e divina: é a Mônada, o Ain Soph, a Jóia divina, etc.
Aquilo que esta composição realmente manifesta, é o equilíbrio ou o universalismo (ou "catolicismo") dos Princípios.
No Budismo, o Trikaya do Buda recebe os nomes de três “corpos”: de Manifestação, de Compaixão e de Verdade. Isto quer dizer, por exemplo, que uma verdade destituída de forma e presença, seria somente um dogma, e a autoridade isenta de verdade, seria apenas autoritarismo. E tudo isto ainda necessita se legitimar pelo amor, ou com alma, para ser completo e perfeito, da mesma forma como o amor sem verdade ou autoridade, é mero desejo vulgar.
A manifestação do líder significa que alguém é responsável pelas coisas, e que alguém ama e cuida dos outros. Não se trata de uma abstração, neste caso; a verdade e o amor já não são idéias soltas, mas realidades tangíveis e personificadas.
Tudo isto resulta na realidade capital do Modelo. Como uma referência por Excelência, é a existência do modelo que confere o poder multiplicador da luz, a prova de que as coisas são possíveis de se alcançar, e também o testemunho de que existe amparo para os necessitados, um porto seguro para o buscador.
Apenas aquele que venceu em definitivo o pequeno eu, pode afirmar ser verdade, caminho e vida. A verdadeira impessoalidade não está na negação da personalidade, porque isto é apenas ocultação. A verdadeira impessoalidade está na afirmação da personalidade purificada.
Nisto, a existência do Modelo incomoda alguns por destruir a demagogia, a coisa somente feita-a-meias, com amadorismo e superficialidade, enfim, contesta vivamente o luciferismo daqueles que tentam agarrar céu e terra com violência e sem legitimidade, quiçá como mercadores do templo ou como forma de manipulação social, assim como desafia, com sua realização, as idéias malsãs dos teóricos anarquistas de toda a coloração.
A Tradição de Sabedoria prevê unicamente a autoridade das pessoas realizadas, e secundariamente, daqueles que as servem e atuam em seus nomes, de preferência sob sua direta supervisão. A “realização” em si é, na verdade, supra-humana em termos maiores e ideais, visando um quadro de integração humana e de evolução planetária. Também existem realizações humanas, que apenas se considera a contento quando integrada com aquela luz maior. Mesmo quando um mestre deixa um ensinamento, oral ou escrito (que pode ser registrado mais tarde), este saber necessita afirmar a sua força levando a pessoas à luz eterna, coisa a princípio somente possível dentro de uma linhagem ou cadeia iniciátória.
O preceito da boa Ordem se reflete naturalmente na Missão, gerando um ciclo complementar e de mútua legitimação.
A Ordem produz força interna, visando cultivar a evolução espiritual, manifestar e contatar as altas hierarquias, que pode chegar ao sobrenatural, além de tratar de questões estratégicas e administrativas.
A Missão tem a virtude de buscar atingir as massas humanas, e assim estender ao mundo a influência e a sabedoria, resgatando o povo da orfandade cultural e espiritual.

Letra morta & Autoridade viva

Existem no mundo algumas correntes reformistas quem colocam ênfase ou exclusividade nos textos, buscando negar ativamente a existência de “autoridades” espirituais, mesmo em torno dos textos sagrados. O sunismo islâmico e o protestantismo cristão, são renomados exemplos disto.
Uma das causas para tal, é porque as autoridades ou sua sucessão estão mal constituídas, baseadas mais em formalidades externas (a questão sanguínea, por exemplo) do que na realização interna.
Não há dúvida que os textos sagrados são importantes. Porém eles devem o seu valor, ao próprio fato de que foram emanados por autoridades. Há que afirme que não provém de fontes encarnadas, e que mentes superiores não encarnam. Apelam assim para toda espécie de malabarismos mentais, apenas para ocultar as suas intenções inconfessáveis de confundir as pessoas com suas idéias estéreis. Muito disto não passa da velha rivalidade e inveja.
A “letra morta” não pode ser a última autoridade na Verdade. A “busca pela verdade”, é sempre mais ou menos um tatear no escuro, quase sem fim, mas que se destina a culminar na realização da Verdade.
“O que é a Verdade?” Perguntou Pôncio Pilates a Jesus, refletindo a confusão do homem profano. O Messias encarna a verdade dizendo: “Eu Sou o caminho, a Verdade e a Vida”. Uma trilogia que, sem dúvida, define as facetas da Verdade. O Messias é a Palavra verdadeira, ela leva à vida maior e aponta o caminho para todos. Ele tem a sua Verdade adaptada em cada geração pelos Adeptos que administram a Lei.
Para nós os livros são preciosos, porque vivemos nestes tempos. Grandes despertares espirituais foram suscitados através de livros (como foi o caso de Francisco de Assis), mas somente porque o leitor estava imbuído pelo Espírito ao lê-los. Em contraparte, se sabe que “alfabeto e livros” tiveram importância reduzida nos tempos da Sabedoria Viva. Platão escreveu lamentado tendo que fazê-lo, por causa da decadência espiritual do mundo e da perda da oralidade. Isto mostra o quão relativo pode chegar a ser o valor do conhecimento registrado.
Em meio a tantas polêmicas doutrinais, é de perguntar: a que levam ou se destinam a levar estas “procuras” e investigações, afinal de contas? Nós temos a nossa resposta, e já a temos exposto: elas se destinam à iluminação. Para os que não têm esta graça, a buscas levam apenas à aproximação da Verdade, mas estes podem se beneficiar da visão daqueles que, havendo pago o preço cobrado, chegam à Meta sagrada. Os “eternos buscadores” não merecem ser levados muito a sério. Ou se encontra as respostas, ou se encontra quem as encontrou.
Existe muita diferença entre um buscador e uma pessoa realizada. Um buscador tende a focalizar perspectivas errôneas ou limitadas, ornadas de preconceitos, baseados em opiniões e teorias próprias ou adquiridas de fontes não raro duvidosas. Na verdade, ele deveria ter cautela em emitir opiniões próprias (até porque, na verdade, ele não as tem), e buscar seguir ensinamentos ao menos amplos e bem organizados, e ainda assim com as cautelas devidas. Um ser realizado é pessoa livre, capaz de discorrer sobre as mais diversas questões com experiência e autoridade,
Pois a Verdade de fato, está do outro lado da margem da procura, cujo percurso é sempre um pouco como tatear no escuro. Somente os iluminados são porta-vozes abalizados da Verdade. A frase “não existe religião superior à Verdade”, pode colocar de um lado as visões humanas (religiões) e a visão da Hierarquia (Verdade). É como o Buda que sabe que a Verdade, é todo o elefante completo ao qual os sete cegos, que são as religiões, e apenas conhecem o elefante em partes.
Contudo, não existe aqui crítica aos limites, somente uma análise dos fatos, porque o Buda sabe que a humanidade deve evoluir por etapas, e neste ponto os mestres podem ser até mais realistas do que os idealistas, quando estes almejam antecipar as utopias fanaticamente e de forma alienada, ameaçando a evolução do mundo na tentativa de criar falsos paraísos para as elites místicas, querendo a “paz” para si apenas como quis fazer Arjuna, quando a batalha já estava armada e ameaçava a justiça universal.
Os sonhadores talvez não façam idéia da massaroca burocrática que existe sob as suas cadeiras. Sonhar com um mundo melhor é bom, mas sobretudo se o fazemos com realismo. Nisto, já sabemos que a união das pessoas que sonham é o primeiro passo.
É possível fazer muitas coisas para simplificar a vida, porém as medidas individuais sempre serão paliativas. A burocracia deve ser combatida em todas as partes, mas especialmente
A autoridade pessoal é a melhor forma para conviver com o mundo burocrático. O princípio da autoridade é a antítese da burocracia, porque coloca as decisões nas mãos das pessoas vivas, ao invés de relegar as normas a códigos cada vez mais complexos. A redução dos núcleos humanos é outra medida essencial. A impessoalidade das massas é fermento para a contravenção e muitos outros males.
A tentativa de “desautorizar a autoridade”, apenas é legítima quando esta autoridade é espúria. Porém, ela também é combatida pelos invejosos que não querem fazer os esforços que os iniciados legítimos realizaram.
Reconhecer a Hierarquia dá o direito à informação que somente ela detém, e alcançar a ajuda que somente eles podem dar. Epicuro não chega a ser anarquista, ao afirmar: "É tolo pedir aos deuses o que se pode conseguir sozinho". Os Deuses e os mestres nunca fazem pelos homens aquilo que eles podem fazer sozinhos.
Pergunta-se, porém: como ficam as massas humanas se não há intermediários? O homem simples, sem tempo para a filosofia, quem olhará por ele? Geralmente este é o limite da filosofia dos homens. Ou devemos pensar que os mestres e sacrificam pela humanidade por algum prazer próprio?
O Cristo afirmou: “Não vim para os sãos, vim para os enfermos”. Mas também disse que os convidados recusaram a oferta e por isto ele ofereceu o sue banquete aos mendigos.
Pois na outra ponta, a dos iniciados, existe a difusa idéia de que a Meta da iluminação seja um labirinto, que só se pode atravessar pela mão daquele que conhece o caminho. Quando queremos ir só até a esquina, é fácil. Mas quando a meta é distante e desconhecida, não há como deixar de pedir ajuda.
Infelizmente, quase nunca os homens enxergam nem aquilo que devem fazer para si mesmos, especialmente quando de trata de evolução conjunta. Se a situação do mundo ainda deixa dúvidas, muito em breve não deixará mais.
Cabe sempre tratar de conhecer a si mesmo, juntamente com o mundo. É preciso buscar a informação correta sobre a evolução mundial, ou até onde se deve chegar como humanidade. Somente neste contexto, é que poderemos realmente dimensionar as nossas potencialidades, para alcançar equilibrar as coisas.


Da obra “Maitreya – a Luz do Novo Mundo”

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