“Apenas os pequenos segredos precisam ser guardados, os grandes ninguém acredita” (H. Marshall)

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Parampara – a chave da criatividade


Toda a obra fecunda está baseada no princípio do Parampara, a tradição discipular ou sucessão apostólica. Não existe nenhum sábio, por maior que seja, que não se tenha iniciado por este processo.

Mesmo aqueles que evoluem sob a linha divina como os Avatares, e que por necessidade são autodidatas em alta monta, se dedicam a procurar as pegadas da Tradição e a pesquisar os melhores saberes de seu tempo e de todas as épocas. Ex nihil nihil est -nada no Universo se fez jamais do nada.

As 8.400 doutrinas reveladas pelo Buda e os cinco mil livros escritos por Hermes Trismegisto, à parte servir para exaltar a grandeza destes mestres maiores como hipérbole à sua notável criatividade, representa na verdade uma expressão retórica, pois denota o legado de toda uma escola, no caso, o Budismo e o Hermetismo, através de diferentes linhagens e sucessivas gerações. Mesmo na filosofia ocidental, é fácil observar a linha condutora da evolução do raciocínio e o pensamento contínuo, através da sucessão de filósofos. E quando existe um vínculo escolástico e espiritual, então o trabalho se torna muito mais fecundo, adquirindo profundidade e diversidade.

Parampara representa um princípio multiplicador de sabedoria, e um mecanismo de revelação contínua. Como reza a tradição, a grande tarefa do Buda é colocar a roda em movimento. Então, os seus seguidores a mantém girando e a conduzem para onde for necessário. De fato, a tarefa das gerações de discípulos, não é apenas preservar incólume a forma da doutrina, mas adaptá-la ao espírito das épocas e ainda revelar novas facetas. Para isto, é preciso sempre ter em vista fielmente os seus propósitos gerais. Se diz que cada bom discípulo deve fazer a sua própria síntese, e até mesmo negar em certa altura (quiçá formalmente) aquilo que foi de início apresentado, visando fazer o contraponto ou buscar a antítese do processo dialético que precede a necessária síntese. Isto faz parte da tarefa de preservar a essência do dharma, ou de “manter a roda em movimento”. A escada dos anjos do sonho de Jacó, é o rosário dos mestres que, em cada geração, alguns são convidados a integrar.

Ainda assim, os próprios Mestres originais geram, como é natural, um corpo volumoso de ensinamentos. E a razão desta fecundidade, se deve à dupla chave erudição-inspiração que eles próprios buscam, inserindo-se assim ao seu modo na Tradição e servindo-lhe como referência original, mediante o resgate e a reforma do saber.

Todo o grande mestre fornece uma fabulosa chave-de-conhecimento, seja escrevendo ou discorrendo. Como sugere a lenda de Hermes e Votan, aqueles que afirmam que os avatares nunca escreveram, demonstram não conhecer os fatos. Aqueles avatares mais conhecidos historicamente, pertenceriam quiçá a uma época algo ágrafa da história, quando se colocava em alta monta a tradição oral –o que vem de resto a ser uma das premissas da iniciação. De Odin se diz ter registrado as runas enquanto estava crucificado, e é bem possível que o exemplo se repita.

Às vezes os profetas nem sabiam ler ou escrever, como foi o caso de Maomé. Inúmeros seriam os escritos registrados mais tarde, porém os mais confiáveis são aqueles redigidos pelo próprio sábio. É preciso observar os recursos e as necessidades de cada época.

Da obra "Genese - Tratado de Teologia Política", Editorial Agartha

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