“Apenas os pequenos segredos precisam ser guardados, os grandes ninguém acredita” (H. Marshall)

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terça-feira, 28 de novembro de 2017

Shakty: vantagens e bênçãos da castidade no caminho espiritual

Aquele que é chamado a desposar a Luz, será inicialmente convidado a noivar com a castidade, para lhe servir de anfitriã a fim de conhecer os palácios da Dama da Luz.
As maiores realizações espirituais são alcançadas graças à castidade; por isto Deus ama a castidade, por ser ela boa e bela, útil e necessária, justa e verdadeira... No mínimo, nos será pedido uma contenção razoável, a fim de que o acúmulo de energias permita obter as experiências necessárias e, como fruto delas, as realizações finais.
Tudo isto gravita então em torno do universo de Shakty, a energia feminina e amorosa contida em nossas forças espirituais ocultas, segundo a filosofia tântrica da Índia, acessadas quando mergulhamos nos mananciais secretos da alma. 
Muitos ensinamentos tratam da importância da castidade, merecendo destaque também a filosofia tolteca divulgada por Carlos Castañeda, dos índios norte-mexicanos, para quem o acúmulo da energia seria fundamental no caminho do conhecimento espiritual.
Passemos a enumerar, então, algumas das principais possibilidades que o cultivo da castidade pode proporcionar, de uma forma crescente ou segundo a nossa evolução espiritual.

1. O “estado-de- graça”. O famoso estado-de-graça é um enlevo espiritual conhecido por aqueles que estão consagrados à Deus, à luz ou à verdade; como um primeiro contato paradisíaco com os mistérios sagrados. O estar-apaixonado se assemelha um pouco a isto, daí haver surgido correntes medievais que cultuaram sistematicamente esta condição, como eram os chamados “fiéis do amor”, quando optavam se apaixonar por uma dama nobre, casada e inacessível, cultivando assim apenas o amor platônico...

O estado-de-graça também pode ser recebido de uma forma gratuita, por aqueles que são chamados por Deus para conhecer as suas grandes Verdades, e neste caso deverá passar uma vida ou um período de auto-consagração, para que estas bênçãos cresçam e se consolidem, em ambientes adequados para isto. De qualquer forma, a experiência poderá servir de guia vida afora, movendo-nos para uma vida de auto-disciplina e de auto-depuração. A castidade pode proporcionar paz, felicidade, desapego e clareza de mente; são os abençoados frutos da Shakty neste degrau.
A revelação “gratuita” do estado-de-graça é característica da Primeira Iniciação, sendo também conhecida como um “chamamento” ou o despertar de uma “vocação” espiritual.

2. A “Dama Natureza”. Os franciscanos asseguram que a castidade pode proporcionar uma experiência de elevada intensidade com a Natureza, de percepção paradisíaca, por assim dizer, das belezas e dos mistérios naturais. Por isto os monges a chamam afetivamente de "irmã castidade"...
Neste quadro a Natureza adquire um aspecto de revelação, de magia e encantamento especial, que satisfaz os sentidos e a alma a um só tempo. É uma realização própria da Segunda Iniciação, quando a sensibilidade se acha mais refinada e consagrada à luz através da devoção.
Esta seria pois uma extensão do estado-de-graça, porém outra espécie de experiência natural profunda poderá ser conhecida mais tarde, sob o desenvolvimento dos poderes da clarividência (um poder característico da Terceira Iniciação) através da meditação, quando o contato e a percepção dos seres Elementais também poderá ser realizado. A beleza e a força de Shakty se revela sob muitas formas, e as magias da Natureza são apenas uma delas.

3. O tantra úmido. A magia sexual ou maithuna, é uma das formas prescritas para o fomento da energia interior. O simbolismo tântrico fala da energia feminina, Shakty, contida na força serpentina, capaz de proporcionar prazer e intensidade.

O êxtase da Shakty é conhecido na Via Úmida especialmente através deste acúmulo da energia, como uma força-de-potência. Ali a pessoa aprende a manejar suas energias, através do exercício da vontade e do auto-controle. Trata-se porém de prática desafiadora, que exige normalmente a orientação de um guru. Local e hora adequados também podem ser importantes para isto. Esta é uma forma de harmonizar as atrações da sexualidade com as exigências do caminho espiritual.
Os Tantras surgiram na Índia e envolvem o conhecimento dos mecanismos sutis do ser humano, que são daí empregados em todas as formas de prática, mas na China isto também tem sido desenvolvido. Os tratados chineses asseguram que esta pratica proporciona saúde e longevidade.
O Kama Sutra pretende orientar a respeito, inclusive como uma forma clássica de melhor satisfazer a mulher; ainda que esta antiga obra esteja repleta de superstições acumuladas pelo tempo. Mesmo que a fisicalidade da prática seja característica da Segunda Iniciação, a técnica pode servir de transição para a Terceira Iniciação, na medida em que consegue educar poderosamente a vontade da pessoa.



4. O tantra seco. A chamada “via seca” do Tantra, representa prática que envolve uma técnica superior. Ali as polaridades são trabalhadas internamente através da meditação, produzindo frutos luminosos com brevidade, potência e satisfação. Eis que a verdadeira meditação costuma envolver etapas, uma mais passiva depurativa, e logo outra mais ativa, criativa. A conhecida Raja Ioga da Índia se limita mais ao momento inicial passivo, legando por isto ainda uma condição frágil de consciência. 
Porém, muitas técnicas ativas têm sido também desenvolvidas, especialmente pelas correntes do Budismo Tibetano. A meditação criativa, também foi desenvolvida através das técnicas esotéricas do culto solar e ao fogo, praticadas nos antigos templos egípcios e mazdeístas. Hoje em dia temos a revelação da Agni Ioga para cumprir as novas demandas da espiritualidade positiva.
Embora os Tantras no geral sejam prescritos para o Kali Yuga, esta idade materialista e científica, a Via Seca envolve aquelas práticas que são mais refinadas, elevadas e também atuais, na medida em que as raças emergentes devem trabalhar especialmente os chakras superiores, sob pena de superestimular aquilo que já foi desenvolvido por outras raças, produzindo desequilíbrios e descontrole de energias que levariam ao inevitável fracasso...
Para que os frutos superiores da meditação possam ser acessados, é importante o acúmulo ou a contenção de energias, útil até mesmo para um melhor desempenho nos esportes; quanto mais naquele campo sutil que demanda uma especial concentração de forças. 
O êxtase da Shakty é um fruto natural da meditação superior, na forma daquela leveza e alegria que caracteriza a condição Hamsa, o Cisne, nome dado na Índia à Terceira Iniciação, envolvendo como técnica central o conhecimento profundo da Palavra Sagrada, OM, onde a Shakty está presente especialmente na letra “M”.



5. Almas-gêmeas. Almas-gêmeas representam uma espécie de somatório daquilo tudo que foi até aqui descrito, até porque apenas pode ser conhecida por aqueles que têm suas almas desenvolvidas, valorizando e transfigurando os corpos em fontes de luz e do mais sublime prazer. Misteriosamente casto e pleno no mais alto grau, como forma de manifestação ou cristalização da Shakty, este grande mistério revela a possibilidade de uma intimidade plena, mas isenta das marcas convencionais dos instintos, como expressão da unicidade, do destino e da própria evolução superior.
Tal como a raça árya recebeu a prescrição de desenvolver os Tantras, com foco central no plexo solar, através da magia e da meditação, a nova raça-raiz está destinada a desenvolver a esfera do coração, resultando no maravilhoso contato das almas-gêmeas e na própria iluminação, que será o tema a seguir.
No caminho espiritual, a realidade das Almas-gêmeas serve como instrumento da transição da Terceira para a Quarta Iniciação.



6. Iluminação solar. A expressão “Iluminação solar” faz uma distinção com o conceito mental de iluminação “lunar” ou passiva, desenvolvido especialmente pelo Budismo, onde se buscava tornar a mente receptiva às energias superiores, tratando-se daí, e mais uma vez, de uma experiência epidérmica e transitória. Contudo, o próprio simbolismo espiritual da Nova Era, atesta pela forma dos novos Budas e das atitudes dos seus Avatares, que as novas energias espirituais são ativas e positivas.
A Iluminação solar se aproxima mais do conceito tântrico hindu de iluminação, trabalhando a ascensão completa de kundalini. E novamente cabe a evocação da Shakty, porque toda a iluminação é profundamente gozosa ou prazeirosa. Esta realização é uma espécie de contraparte espiritual às almas-gêmeas, na medida em que envolve o pleno despertar do centro do coração, fazendo do ser humano um pequeno sol de positiva irradiação amorosa e curativa.
Representa enfim a própria técnica da Quarta Iniciação, que envolve o conhecimento da Palavra Perdida e culmina a evolução humana desta ronda evolutiva do planeta, proporcionando a imortalidade da consciência.


Para além disto tudo, ainda existem outras tantas dimensões de realização espiritual, nas quais a Shakty também pode se transformar em forças cósmicas.




Luís A. W. Salvi é filósofo holístico e autor polígrafo com cerca de 140 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.

Contatos: webersalvi@yahoo.com.br 
Fones (51) 99861-5178 e (62) 99776-8957
Editorial Agartha: www.agartha.com.br

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Plasma: Quarto Fogo Cósmico – a energia da Nova Era

Aurora boreal: plasma na Natureza

Quando Alice A. Bailey realizou o seu fenomenal “Tratado Sobre o Fogo Cósmico”, talvez o ponto mais alto da sua exegese criativa/canalizada da “Doutrina Secreta” de H. P. Blavatsky, limitou-se quase a tratar dos três fogos cósmicos mais conhecidos pela raça árya e suas iniciações (como pode sugerir a expressão de Hermes Trismegisto na "Tábua de Esmeraldas": “possuo as três partes da sabedoria universal”), que são os fogos frictivo, solar (magnético) e elétrico.

Ainda assim, como um avanço no rumo das novas coisas que representou aquela etapa intermediária de revelações espirituais transmitida através de Bailey, ela chegou a tratar em alguns pontos desta nova “energia quadridimensional”, descrevendo-a com a habilidade de costume (mas sem nomeá-la de uma forma mais precisa), como uma energia onipresente e todo-penetrante, que não se limita às formas mas as compenetra, por estar livre das formas físicas.

Hoje sabemos como se chama esta energia: plasma, cuja forma mais física vem sendo empregada em ampla escala pela ciência, pela indústria e sobretudo nas novas tecnologias -integrando inclusive aquilo que se costuma chamar de “tecnologias limpas”. A Ciência considera o plasma como “o quarto estado de matéria”, obtido quando o terceiro estado (gasoso) é processado, energizado, ionizado. 


Na Natureza, as auroras boreais também são uma forma deste plasma. Da mesma forma que está presente na “aura” solar (tal como é visível nos eclipses) e nos próprios raios (os quais, não obstante, também representa energia elétrica).

O tema da Quarta Dimensão entrou na pauta da Ciência através das considerações de Einstein sobre a Teoria da Relatividade, onde o Tempo representava esta “nova” dimensão da Física. Através da velocidade da luz, como matriz deste universo, o tempo poderia ser relativizado, e em tese se poderia viajar no tempo. Então, na prática é a própria luz que determinaria esta nova dimensão.



A nova raça-raiz iniciada m 2012 é a quarta, pós Lemúria, Atlântida e Árya. A raça Americana começa na Era de Aquarius, cujo símbolo é o aguador, o verter da sabedoria e da energia do coração, o quarto chakra que comporta esta energia plasma. A leveza do cervo presente na iconografia oriental deste chakra, remete à sutileza desta energia.
Nisto, podemos ver no aquário do arquétipo astrológico da Nova Era, também uma espécie de esfera-de-plasma sutil, que é a energia cardíaca. Tradicionalmente, as “águas superiores” dos mitos originais, representam as energias sutis e fluidas do Universo.

É também a energia da verdadeira iluminação, solar e definitiva, porque a forma de iluminação que a raça árya estava habilitada era ainda lunar e limitada, isto é, reflexiva, através da pacificação da mente/emoções para contemplar/refletir o cosmos. A força solar é diferente, porque incorpora a energia através da ascensão completa da kundalini.

Para finalizar, devemos saber que mais duas dimensões/iniciações estarão disponíveis na Nova Era, misticamente para muitos, é certo, mas na prática e cabalmente apenas para aquelas pessoas que transcenderem a esfera humana e adentrarem nos quadros da Hierarquia espiritual.


Luís A. W. Salvi é filósofo holístico e autor polígrafo com cerca de 140 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A transição da era está dentro de nós – e você, está preparado?


Sim: a mudança das Eras depende menos de cronologias que dos estados-de-consciência. E neste campo de subjetivismos, tudo pode acontecer, inclusive aquelas ilusões mais ou menos inerentes à própria transição.

Tornemos porém a coisa mais concreta. Queremos sair de Peixes para entrar em Aquário. Um dos motivos é porque a Era de Peixes “já deu o que tinha para dar”, e o que oferece agora é apenas uma casca vazia do ser vivo que um dia foi. Outra questão, é que já não queremos tanto a crença, e sim o conhecimento. Mas nisto, de tão habituados que estamos a crer, podemos cair nas armadilhas de apenas trocar de crenças, inclusive por outras que de certa forma apenas simulam o conhecimento, como pode ser até a tal da Ciência...



Ora, aquilo que realmente diferencia fé de conhecimento, não são os experimentos externos associados a outras visões de mundo, mas sim a experiência interior, coisa na prática muito relegada na Era anterior, até que São Francisco de Assis começou a mudar um pouco as coisas. A mudança de relato-de-mundo representa apenas uma contestação superficial a certo corpo de valores, e não uma nova experiência interna de fato. Serve assim como antítese à velha tese, mas ainda não constrói as sínteses necessárias.

Tem-se também o exemplo das crenças exóticas. Para muitos, a mudança de crenças já soa um avanço. Por vezes, crenças vagas vêm embutidas em novas práticas úteis, como sucede na associação entre reencarnação e ioga, ou mesmo com o Hinduísmo em geral.


Então, o importante é entender que o novo verdadeiro está associado a novas experiências e realizações –especialmente, é claro, daquele tipo que representa um avanço real no quadro da experiência humana em geral. Nem todos estarão preparados para dar este salto, e aí regressa inevitavelmente o tema da crença, sob todos os matizes.

Julga-se comumente que acreditar em coisas exóticas já significa uma renovação, quando na verdade devemos nos esforçar por superar a crença–pela-crença ou em acreditar em coisas que estão fora de nós. Na Era de Peixes se acreditava em seres sagrados, e isto era melhor do que acreditar em coisas ao modo de fetiche. O passo seguinte a evolução humana seria a auto-realização, mas tal coisa sempre demanda orientação e nem todos estarão preparados.

Nossa passividade tem, enfim, várias causas, entre elas o hábito milenar de esperar respostas fora de nós, e também a novidade da ilusão do intelecto como resposta para os problemas humanos. Assim como as misturas que se costuma fazer disto tudo, através das tecnoutopias, etc.

O primeiro desafio, neste caso, está em crer apenas naquilo que aqueles que realizaram sabem, e não em crer em qualquer coisa por conta própria, ou em coisas relatadas por embusteiros que almejam apenas impressionar os crédulos visando angariar seguidores cegos. Vale observar aqui os ensinamentos dos grandes seres como referência, de teor universal e equilíbrio.

O falso conhecimento é uma das grandes armadilhas para aqueles que se aventuram no mundo espiritual sem guias. Um sábio verdadeiro, sempre conduz as pessoas pela trilha do conhecimento seguro, através da simplicidade e da fraternidade, e também das novas realizações espirituais.

O buscador deve procurar orientação por muitas razões, entre elas a sua própria inexperiência e o fato de estar sujeito ainda às ilusões do passado, como prova a tendência comum aos iniciantes de procurar poderes e fenômenos; além do fato do mundo espiritual ser esta espécie de “campo minado” de falsa-informação e desorientação. Aquele que não busca ajuda tampouco poderá oferecê-la, e esta situação não é muito abençoada pelas forças espirituais porque pouco contribui para a evolução do todo.

Assim, que cada um possa assumir a sua parte de responsabilidades pelo seu próprio destino e também do planeta onde vive, tratando de experimentar o novo antes de tudo dentro de nós como semeadura para o todo.


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quarta-feira, 8 de julho de 2015

UMA VISÃO ESOTÉRICA DA CHAMA TRINA


As tríades parecem compor o universo da evolução consciencial humana. Um sem-número de realidades espirituais estão nestes termos figuradas, dos Gunas, Ritmos e Elementos primários até as Trindades ou Trimurtis universais, passando por sucessivas evoluções intermediárias. A Árvore Sefirotal é uma estrutura tipicamente edificada em tríades, para não mencionar a importância geométrica fundamental deste princípio, posto que o triângulo representa o verdadeiro “tijolo” do cosmos por ser a primeira forma cerrada que existe.

A Chama Trina foi dada no rol dos ensinamentos da Grande Fraternidade Branca durante o século passado, mas o conteúdo e significado mais profundos desta revelação ainda tem sido pouco explorado.
No geral esta “chave” é empregada apenas na Meditação das Chamas, sem maiores especificações, nas várias escolas associadas à Grande Fraternidade Branca (onde se destaca na verdade o trabalho da Chama Violeta). 
É também chamada de “Chama da Liberdade” e associada aos Três Raios de Aspectos divinos.

A Chama Trina é colocada no coração, onde também estaria radicada a Mônada (conforme Alice A. Bailey), e nisto temos uma primeira indicação. Contudo, o coração em questão não seria o Chakra Anahatha de doze pétalas do Hinduísmo, e sim o Chakra Ananda Kanda (ou coração espiritual) de oito pétalas do Budismo (por vezes mostrado dentro do chakra de doze pétalas).

Porém, ao estar no coração, significa também que ali se abre o acesso à Tríade Superior de centros, potencializando estas conexões superiores. Nesta fase, a Tríade Inferior já se acha composta –e como dissemos de início, o triângulo representa o “tijolo” do universo. Então ela está pronta para servir como ferramenta alquímica transformadora; o ser humano acha-se dotado então de certas faculdades-de-síntese. Por isto o mandala hindu do Chakra Anahatha mostra um exagrama ou selo-de-seis-pontas -é o que permite, aliás, seja a analogia do cristal como a do arco-íris.

Trishula celta
Como sugere a imagística, a Chama Trina representa efetivamente uma fórmula de unidade e de integração. Ao despertar a consciência no chakra cardíaco, podemos começar os trabalhos mais avançados de síntese de energias que conduzirão à iluminação e, daí ao Adeptado e até à Ascensão espiritual em alguns casos, para quem estiver preparado e também destinado, neste caso, a integrar as fileiras da Hierarquia espiritual.


A iluminação verdadeira representa uma conquista maior que começa a estar acessível para a humanidade na Nova Era. Aquilo que se fazia antigamente era apenas antevisões desta realidade, pois somente agora desperta na humanidade o chakra do coração, uma vez que se trata do surgimento da quarta humanidade, apta a ativar este quarto chakra também.



A ascensão também está disponível, como expressão da Sexta Iniciação (integrando ainda, portanto, as energias da Chama Trina), porém em casos mais raros uma vez que caracteriza a nova Unificação Vicária, ou o Adeptado Único nas gerações. Ainda assim, a Espiritualidade permite a organização de grupos ascensionais para a liberação coletiva, que são as naves místicas da Merkabah, devidamente capitaneadas por um Chohan ou mestres de Sexta Iniciação.


A Chama Trina pode ser descrita como a primeira fase de diferenciação da Mônada, através da Tríade Superior de chakras, ou seja: coração, garganta e cabeça. Por esta razão, através desta “chave trina” nós podemos buscar a reintegração da unidade monádica, que é a própria iluminação, através da ascensão de kundalini. Esotericamente falando, a Chama Trina representa as três correntes ou canais principais da “energia” kundalini: o solar (pingala), o lunar (ida) e o neutro (sushumna).
Para ativar realmente a Chama Trina, cabe pois trabalhar esotericamente com os chakras superiores. As energias gerais da espiritualidade (e talvez da vida em geral) são: som, amor e luz. Na Chama Trina, as correspondências seriam estas:


Chamas    Vermelha    Amarela      Azul
Chakras    Coração      Garganta     Cabeça
Energia    Amor          Som             Luz
Canais      Solar           Neutro         Lunar




Nesta fase, tal tríade se manifesta da forma mais refinada, através de mantra, compaixão e irradiação. O mantra OM MANI PADME HUM trata disto tudo: Om (cabeça), Mani (garganta) e Padme (Coração). O Hum -e o Hrih secreto também- podem ser associados aos chakras restantes (o sistema budista conta apenas com quatro e às vezes com cinco chakras, unificando os extremos), mas dizem respeito também às combinações destas energias. O próprio OM já pode significar uma prática semelhante, de forma mais concisa, e o Anushwara nele contido ainda mais.

No Hinduísmo, o tema diz respeito ao trabalho esotérico do Pramantharani, simbolizado pela “arte de fazer o fogo” (do que temos tratado em outras matérias), isto é, a criteriosa busca ocultista da iluminação, que é também indubitavelmente a Opus Magna dos alquimistas.

Leia também:
A Chave Trina: uma recapitulação final
O Pramantha: técnica & cânone da Iniciação


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sábado, 30 de maio de 2015

MITO - A REVELAÇÃO DA ESSÊNCIA: UMA DIDÁTICA-DO-INFINITO



O mito traduz em símbolos que captam a nossa atenção os fatos ocultos importantes que de outra forma poderiam nos passar despercebidos, dando-lhes assim a devida importância que merecem. Neste sentido, o mito é diametralmente oposto à Ciência, que tem a pretensão de avaliar a verdade das coisas, porém raramente vai além da superfície
O mito é uma linguagem de síntese, mas também representa um recurso didático especial. Através do mito você é convidado a sentir as coisas, para vir a se interessar a conhecer. E não existe melhor forma de conhecimento do que a experiência direta.
Como falar do poder do Sol em poucas palavras? Às vezes pode ser mais fácil transmitir a essência das coisas através de um culto do que por um tratado repleto de números e de informações frias e dispersas. Mesmo porque, provavelmente os tratados jamais poderão comunicar tudo aquilo que o Sol pode realmente representar na vida das pessoas.
Confunde-se muito o mito com a fábula. Hoje se procura muitas vezes dar ao mito uma conotação psicológica. Talvez os gregos, no seu afã de humanizar o politeísmo, tenham buscado objetivos como este, acarretando neste caso num reducionismo.
O mito visa não aumentar, mas retificar as ilusões humanas. Grandes feitos podem não ser aquilo que a maioria deseja ou espera. Talvez o Destino tenha outros planos para as coisas, e quando os homens sentem-se desamparados deveriam saber que podem estar eles mesmos no caminho errado.

Os mitos dramatizam para sensibilizar. De que servem narrativas históricas lineares, quando se necessita dar exemplos e prestar orientação? O mito busca transmitir uma experiência direta ao invés de simples informação. São famosos os “exageros” orientais, como hipérboles, e as máscaras rituais ou artísticas tinham uma intenção semelhante.
Se os mitos existem para sensibilizar os homens, também existe um caminho para superar os mitos, que é alcançar a sensibilização –provavelmente com o auxílio deles mesmos. Porém, aqueles que renegam os mitos, antes de se tornarem realmente sensíveis, o que restará para estas pessoas?! E esta premissa se estende aos dharmas em geral, como ensinou o próprio Buda.
O mito não exagera de fato, ele apenas revela o oculto. Para os sociólogos, o mito –incluindo nisto as religiões- é a forma de cultura das sociedades antigas, que são aquelas que não obstante relacionamos à Idade de Ouro.
Partindo ainda da nossa própria Antiguidade histórica, vários sociólogos e historiadores, tem avaliado as transformações da cultura universal nestes termos:

Mitologia -> Epopéia -> Filosofia -> Ciência

É possível inclusive enquadrar estas tendências dentro de ciclos conhecidos através de certos calendários sociais, com Idades entre 1.000 e 1.300 anos de duração, cuja sequência é aquela conhecida de Ouro, Prata, Bronze e Ferro.
Pensando assim, a Ciência quer dar uma conotação algo infantil à cultura antiga. Inversamente, porém, aqueles que a representam consideram infantil, bruto e primitivo ater-se somente às coisas evidentes, tangíveis e materiais. Noutra abordagem, ter-se-ia que tal limitação corresponde a uma espécie de senilidade da cultura humana, já que a criança nem sempre está assim tão apegada ao plano material, sobre o qual ela recém está aprendendo/assimilando na verdade.
Nisto, é possível sim comparar o mito com o recurso didático da fábula destinada às crianças em especial. Diante dos grandes fatos, o homem comum se assemelha à criança, e necessita ser impregnado por um novo imaginário de expansão.
Os grandes mitos descrevem acontecimentos maiores, incapazes de descrição objetiva. O mito visa conferir justiça e proporção àquilo que poderia ser ignorado, sob pena de desconhecermos o tamanho da ação divina ou, eventualmente, de alguma outra natureza. Contudo, aquilo que importa aqui é o poder divino de superar grandes provações, inclusive aquelas advindas de poderes especiais das trevas ante os quais os seres humanos acham-se totalmente importantes...
Por exemplo, se diz que certos avatares escreveram dezenas de milhares de obras, o que literalmente não corresponde aos fatos, porém somando os esforços dos seus discípulos o resultado não estaria longe disto. A obra fundadora ou o dharma-raiz, tinha em si embutida potencias inestimáveis, e este tipo de consideração exponencial ou qualitativa era muito comum na forma antiga de narrar a História.

O mito visa despertar o enlevo e a adoração que uma situação pode merecer, mas que poderia não ser percebida pelos humanos como tal sem o apelo a recursos especiais de linguagem. Por ser a cultura da Idade de Ouro, o mito trata de elaborar uma Didática do Infinito para comunicar sobre os Atos Fundadores de uma cultura ou civilização emergente.
O termo mito também se usa no sentido da falácia e do engodo. O mito pode ser falseado? Obviamente existem falsos mitos e também mitos esvaziados como deus otiosus. Isto toca unicamente ao discernimento das pessoas decidir. Um falso mito é um problema tão grave como a falta do bom mito, e na verdade ambas as coisas estão bem relacionadas. O mitômano é alguém que vive uma ilusão crônica e inquestionável, associada à prática da mentira compulsiva e à busca por criar uma imagem fictícia.

O mito é algo tão forte e determinante, que o ser humano não pode viver sem ele. A ausência do mito é simplesmente uma quimera, a própria Ciência, que pretende substituí-lo, termina por representar um mito falho, na medida em que não se admite como mito. A Epistemologia veio para corrigir estes problemas, fazendo um meio-campo necessário entre a Ciência e a Filosofia.

Naturalmente há mitos de diferentes espécies, com funções também díspares. Porém, os verdadeiros mitos tratam dos deuses e, dai, dizem respeito ao universo da religião. A dificuldade de conhecer um grande homem é como a de conhecer uma grande montanha: remota, distante e enevoada. Os fatos nem sempre atendem a demanda da fantasia humana. Os humanos querem adorar seres poderosos, porém a verdadeira grandeza pode se assemelhar mais a um iceberg, apenas uma pequena parte se revela. Por sua própria natureza, a espiritualidade pede discrição e modéstia. A história de Jesus é em tudo um exemplo de como Deus pode surpreender e inovar.
Então, a criação dos mitos fundadores representaria o alicerce fundamental de uma cultura, perdendo apenas em importância para os atos fundadores em si. Isto explica a importância das lendas e da literatura na formação ou na consolidação de muitas sociedades emergentes. O legislador Moisés foi um grande “mitificador”. O papel das Leis toca aos divinos Manus (“Mentores”) e aos seus correlatos. O Pentateuco (significa “cinco rolos”) fazia alusão aos cinco estados-de-consciência do ser humano, relacionados às raízes das classes sociais.
A Idade de Ouro mitifica (não “mistifica”) fatos ocorridos previamente na fundação das coisas, durante a chamada Idade do Diamante quando ocorre o grande embate entre a luz e a trevas em nome da criação de um novo tempo do mundo. Vivemos hoje o estágio central desta Idade de transição, quando o "carvão" do velho mundo vira "diamante" no novo mundo para transmitir a luz de uma nova revelação. Como estamos começando a parte positiva da transição, caberia dar início também à organização das novas estruturas culturais do mundo.

Leia também
Mito solar - a essência das grandes profecias
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sábado, 16 de maio de 2015

A Educação Permanente e o Anarquismo possível



A “Educação Permanente” representa para nós uma educação integral da pessoa e sobretudo da sociedade, para além portanto da formação infantil. A limitação de empregar termos como “Educação Holística”, que também nos concerne todavia, é que a Educação Integral do ser humano deve ser algo progressivo, ademais de potencialmente vitalício.
O termo “Educação Permanente” tende a ser empregado em nossos tempos de especializações como um processo de contínua graduação da formação técnica (doutorado, pós-graduação, etc.), abarcando a organização do trabalho, gestão e controle social. Nós designamos a estas porém simplesmente como “profissionalização”.


A Educação Permanente visa forjar a integridade do ser humano, conquanto trate ela de se harmonizar com a liberdade e a diversidade humana, determinando as possibilidades do “anarquismo” ou da livre-expressão nata ou adquirida. 
O termo “anarquismo possível” possui aqui então duas acepções. Inicialmente, aponta que a educação permanente representa a única forma de alcançar o anarquismo; depois, que este padrão pedagógico determina os limites reais do anarquismo ou os caminhos para um anarquismo realista.*
A Educação Permanente representa a superação das ideologias. Não existe anarquismo coerente sob ideologias absolutistas e sujeitas meramente a culturas-de-época –menos ainda sob ideologias extemporâneas e exterrâneas. Um anarquismo efetivo ter um claro sentido de superação histórica e de ideologias rígidas. O anarquismo apenas existe de maneira holística, razão pela qual ele acaba se multiplicando em correntes “infinitas”...


O “universalismo” soa às vezes como uma panaceia utópica, alheia às urgências da realidade histórica. Contudo, um ecumenismo verdadeiro seria capaz de suprir por si só as necessidades sociais de forma equilibrada.
A Educação Permanente significa abolir a primazia das instituições. Nós não eliminaremos as instituições em si, porém elas já não determinarão a conduta do ser humano, mas estarão ao ser serviço. Estado, Polícia, Igreja... existem basicamente para cumprir funções reguladoras que uma educação limitada não pode alcançar.

A Educação será neste caso a primeira e a única verdadeira instituição. No entanto, ela é permanente por ser holística e universalista, e como tal não se torna opressiva ou ideológica.
A “Educação Permanente” se destina na verdade a levar cada um até onde ele está naturalmente capacitado a ir. Quando a pessoa possui potenciais crescentes ela avança numa espiral através da fácil assimilação dos conteúdos gerais, e quando a pessoa atinge os seus limites ela reduz a velocidade do aprendizado ou entra numa forma de treino circular especializado. 
Nisto é que realmente entraria a atualização profissional dos conhecimentos (também definida como “Educação Continuada”) comum hoje especialmente na área da Medicina. 

Este limite natural do indivíduo determina aquilo que se poderia chamar de sua “classe social”, sempre caracterizada pela sua atividade profissional. Aqui é que entra realmente o papel das instituições como atividade maiormente autônoma, visando dar suporte aos interesses-de-classe.
A compartimentalização social não implica na sua impermeabilidade e isolamento. Pelo contrário, dever ser instituídas vias comunicantes entre todos os setores socioculturais, o que se dá basicamente pela valorização e o respeito.

A hierarquização até pode existir, porém sempre nos limites da sua legitimidade. A autoridade é um fato em todos os setores, contudo não pode sucumbir ao autoritarismo. O sentido social do todo é fundamental para isto, o espírito-de-serviço deve estar acima dos interesses pessoais e setoriais. Cabe ter em vista sempre um Objetivo maior, acima até mesmo da própria sociedade...
Um profissional não pode se encastelar na sua atividade voltando-se apenas para si ou para os seus pares. Toda atividade deve possuir autêntica função social, tratando assim de servir tanto ao seu próprio núcleo especializado, como também ao todo da sociedade. Isto significa capacidade de adaptação e flexibilidade, resultando na única forma civilizada possível de vida. Isto vale, naturalmente, para todos os segmentos sociais.

Aquilo que se descreve acima, representa o padrão cultural das Idades-de-Ouro da Civilizações. Mais concretamente, foi o que se tratou de realizar na Índia através do Brahmanismo, antes que a crise institucional inverter a subordinação idealizada do primado da educação plural (ashramas) pelo das castas (varnas).

* Alguns poderão arguir sobre a possibilidade de um Anarquismo nihilista e liberal, e esta poderá ser realmente uma tendência das velhas sociedades em desconstrução que tem rumado para o materialismo histórico. Porém no Novo Mundo em construção, a flecha caminha naturalmente para o Todo!

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Luís A. W. Salvi é autor polígrafo com cerca de 150 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.

Contatos: webersalvi@yahoo.com.br 
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